
Da Tecelagem à Inteligência Artificial
Uma história divertida da informática
Dos cartões perfurados aos cérebros de silício: a saga da computação como uma boa história à volta da mesa, sem tecniquês.
🍺 Aperitivo — Introdução — o tear que aprendeu a ler
Em 1801, na cidade francesa de Lyon, um tecelão teimoso resolveu um problema que atormentava sua profissão havia séculos: como tecer desenhos complicados em seda sem depender da memória e da paciência de um operário exausto. Joseph-Marie Jacquard perfurou fileiras de buracos em tiras de papelão duro e ensinou o tear a “ler” aqueles furos com agulhas. Onde havia furo, o fio passava; onde não havia, o fio parava. Cartão após cartão, a máquina desenhava flores, pássaros e arabescos — sozinha.
Ninguém na época chamou aquilo de programa. Mas era exatamente isso. Pela primeira vez, uma sequência de perfurações num pedaço de papelão dizia a uma máquina o que fazer, passo a passo. A informação virou comando.
Duzentos anos depois, as máquinas não leem mais papelão. Leem o mundo. Entre o tear de Jacquard e o aparelho que você talvez esteja segurando agora, existe uma das histórias mais improváveis já vividas pela humanidade — e é essa história que este livro conta.
O tear já está montado. Os cartões, perfurados. É só puxar o primeiro fio.
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