O software da Apollo 11 foi tecido à mão: a memória de corda que levou o homem à Lua
O computador de bordo da Apollo — o AGC, de Apollo Guidance Computer — tinha uma missão simples: não podia falhar nunca, a 384 mil quilômetros da oficina mais próxima. E a solução para gravar o software de forma indestrutível foi de uma poesia involuntária: tecer o código à mão.
Funcionava assim: o programa era gravado numa "memória de corda" (core rope memory) — uma trama de fios de cobre passando por dentro ou por fora de milhares de anéis magnéticos. Fio por dentro do anel, o bit valia 1; por fora, valia 0. Cada fio era enfiado, um a um, por operárias experientes em tecelagem — muitas vindas das fábricas têxteis da região de Boston. Os engenheiros apelidaram o resultado de "LOL memory": Little Old Lady memory, a memória das velhinhas.
Um erro de agulha significava um bit errado no código que levaria três homens à Lua — por isso cada corda pronta era conferida, e o processo todo levava meses. O software, uma vez tecido, era imutável: nem raio cósmico, nem pane elétrica, nem dedo nervoso de astronauta conseguia alterá-lo.
A informática começou num tear — o de Jacquard, que já em 1801 "programava" desenhos com cartões perfurados — e, 168 anos depois, foi um tecido que pousou na Lua. Entre uma ponta e outra dessa linha, está a história inteira que contamos no livro.
Fonte: Documentação do Apollo Guidance Computer (MIT Instrumentation Laboratory / NASA).
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