Quem foi a primeira programadora da história? Ada Lovelace e a Nota G

Entre os poucos que entenderam o que Charles Babbage havia imaginado estava uma mulher improvável para a ciência vitoriana: Augusta Ada King, condessa de Lovelace, filha legítima do poeta Lord Byron. Criada longe do pai por uma mãe que temia que a menina herdasse a “veia poética” perigosa, Ada foi empurrada desde cedo para a matemática. O resultado foi uma mente única, que chamava sua própria abordagem de “ciência poética”.

Em 1843, Lovelace traduziu para o inglês um artigo sobre a Máquina Analítica de Babbage. Ao traduzir, foi anotando — e suas notas acabaram quase três vezes maiores que o texto original. A célebre Nota G traz um algoritmo completo para calcular os números de Bernoulli: por isso ela é frequentemente chamada de primeira programadora da história. O que a torna excepcional não é ter sido a única, mas ter publicado o primeiro programa elaborado destinado a uma máquina — e, sobretudo, ter enxergado mais longe que o próprio Babbage.

Detalhe delicioso: ao preparar a Nota G, Ada encontrou e corrigiu um erro de Babbage no programa. É, possivelmente, o primeiro “debug” registrado da história — quase um século antes de existir um computador para rodar o código.

Na mesma série de notas, ela previu que, se a harmonia e a composição musical pudessem ser expressas de forma abstrata, “a máquina poderia compor peças musicais elaboradas e científicas”. Em 1843, Ada já vislumbrava a inteligência artificial criativa. Morreria aos 36 anos, sem jamais ver uma máquina capaz de rodar uma única linha do que escreveu.

Mais história da informática: