Por que chamamos de “bug”? A verdade sobre a mariposa de 1947
A MARIPOSA EXISTIU — mas não inventou a palavra.
Em 9 de setembro de 1947, técnicos que operavam o computador Harvard Mark II encontraram uma mariposa presa no relé número 70. Tiraram o inseto, colaram-no no diário de bordo e anotaram ao lado, em tom de piada: “First actual case of bug being found” — o primeiro caso real de um bug encontrado. A página existe até hoje, com a mariposa, no Museu Smithsonian.
É uma das melhores histórias da computação — e quase tudo que se conta sobre ela está errado.
“Bug” como sinônimo de defeito já era jargão técnico no século XIX: Thomas Edison usava a palavra em cartas em 1878, décadas antes de qualquer computador existir. E quem encontrou e colou o inseto foram técnicos da equipe do Mark II, não Grace Hopper — ela mesma fazia questão de corrigir a lenda.
O episódio da mariposa popularizou o termo na computação; não o inventou. A piada dos técnicos só funcionava, aliás, porque todo mundo ali já chamava defeito de “bug” — dessa vez, o bug era literal.