As seis mulheres do ENIAC: as primeiras programadoras apagadas da história

O ENIAC nasceu da guerra — e aqui vai a primeira surpresa: naquela época, a palavra “computador” (computer) não designava uma máquina, e sim uma profissão. Os “computadores” eram gente — em geral mulheres — que passavam o dia fazendo cálculos a lápis e no papel. O ENIAC foi construído para substituí-los; quem o operou foram, justamente, algumas dessas mulheres.

Operar o ENIAC coube a seis: Kathleen McNulty, Frances Bilas, Betty Jean Jennings (depois Bartik), Ruth Lichterman, Betty Snyder (depois Holberton) e Marlyn Wescoff. Sem manuais e sem linguagem de programação, elas tinham de entender a máquina fio a fio para traduzir um cálculo em cabos e chaves. Na véspera da demonstração pública de fevereiro de 1946, Jean Bartik e Betty Holberton viraram a noite “depurando” o ENIAC para que tudo funcionasse diante dos convidados.

A apresentação foi um sucesso estrondoso — e, na comemoração, as mulheres foram mandadas para casa, sem convite para o jantar.

O esquecimento foi ainda mais longe. Nas fotos oficiais da época, os homens apareciam identificados nas legendas; as mulheres, não. Décadas depois, a pesquisadora Kathy Kleiman, ainda estudante, viu aquelas imagens e perguntou quem eram elas. Responderam-lhe que “provavelmente eram modelos”, postas ali para enfeitar a máquina. Kleiman não aceitou: dedicou anos a reconstruir as biografias das seis e a devolver-lhes o crédito de terem escrito o primeiro software de um computador moderno.

Em 20 segundos, no boteco:

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