O que é a Nota G de Ada Lovelace? O primeiro programa da história, explicado
Em 1843, Ada Lovelace traduziu do francês um artigo científico sobre a Máquina Analítica de Charles Babbage — o computador mecânico que ele projetou e nunca conseguiu construir. Ao traduzir, Ada foi acrescentando notas próprias, identificadas por letras: Nota A, Nota B… As notas ficaram quase três vezes maiores que o artigo original. A última delas, a Nota G, é o motivo de ela ser chamada de primeira programadora da história.
O que a Nota G contém é, em linguagem de hoje, um algoritmo completo: a sequência exata de operações para a Máquina Analítica calcular os números de Bernoulli — uma série matemática cabeluda, usada como demonstração de força. Ada descreveu as operações passo a passo, com variáveis, laços que se repetem e até a tabela de execução — tudo aquilo que um programador moderno reconheceria na hora. Publicado em 1843, quase um século antes de existir qualquer máquina capaz de rodá-lo.
Tem um detalhe saboroso: ao preparar a nota, Ada encontrou um erro nos cálculos que o próprio Babbage havia fornecido — e corrigiu. É possivelmente o primeiro debug registrado da história, feito no papel, antes do primeiro computador.
E a Nota G não para no algoritmo. Nas mesmas notas, Ada prevê que uma máquina dessas poderia manipular qualquer coisa que fosse representável por símbolos — inclusive música: "a máquina poderia compor peças musicais elaboradas e científicas". Em 1843, ela já descrevia, em essência, o que hoje chamamos de inteligência artificial criativa. Ada morreu aos 36 anos, sem ver uma única linha do seu programa rodar.
Fonte: As "Notes" de Ada Lovelace (1843), tradução do artigo de Luigi Menabrea sobre a Máquina Analítica.