Mais megapixels significa fotos melhores? Mito ou verdade
MENTIRA — o que manda é o tamanho do pixel.
O megapixel é o cavalo de batalha do marketing de celular há vinte anos, porque é o único número da câmera que qualquer pessoa entende. Só que ele mede uma coisa só: quantos pontinhos a foto tem. Não mede a qualidade de nenhum deles.
Pensa numa janela. O sensor da câmera é a janela, e os megapixels são as divisórias dentro dela. Se você mantém a janela do mesmo tamanho e coloca nove vezes mais divisórias, cada pedacinho recebe muito menos luz. É exatamente o que acontece num sensor minúsculo de celular: mais megapixels significa pixels menores, e pixel menor capta menos fótons — o que aparece na foto como ruído, borrão e cor lavada assim que a luz diminui.
A prova está no próprio produto: aqueles celulares de 108 MP quase nunca entregam uma foto de 108 MP. No modo automático eles fazem *pixel binning* — juntam 9 pixels vizinhos num só para recuperar sensibilidade — e cospem uma imagem de 12 MP. Ou seja, o número gigante da caixa existe para vender, e o próprio aparelho o descarta na hora de fotografar.
O que realmente decide uma boa foto: o **tamanho do sensor** (janela maior, mais luz), a **qualidade da lente e a abertura**, a **estabilização** e, hoje mais que tudo, o **software** — o processamento computacional que empilha várias exposições em milissegundos. É por isso que um iPhone de 12 MP humilha um genérico de 64 MP num restaurante à meia-luz.
Regra prática de boteco: acima de uns 12 MP, para foto que vai parar no celular ou na rede social, megapixel a mais não melhora nada — só ocupa espaço. Se for comparar dois aparelhos, procure o tamanho do sensor (algo como 1/1.3") e leia um teste noturno. É lá que a verdade aparece.
Fonte: DPReview e a documentação técnica de sensores com pixel binning (Quad Bayer).
Em 20 segundos, no boteco: