A Apple deixa o iPhone lento de propósito? A verdade sobre o batterygate
QUASE — freou de verdade, mas por outro motivo.
Este é um dos raros mitos que acerta o fato e erra o motivo — e por isso é tão interessante. Sim: a Apple realmente reduziu a velocidade de iPhones antigos. A empresa admitiu, foi processada e pagou. A pergunta é: por quê?
A resposta está na química da bateria. Uma bateria de lítio envelhecida perde a capacidade de entregar picos de corrente. Quando o processador pede um pico e a bateria não consegue fornecer, o aparelho não fica lento — ele desliga na hora, com 40% de carga na tela. Foi o que começou a acontecer em massa com o iPhone 6. A solução da Apple, no iOS 10.2.1, foi limitar os picos de desempenho nesses aparelhos: mais lento, porém ligado.
Do ponto de vista de engenharia, a decisão é defensável. O pecado foi outro, e é grave: ela não contou a ninguém. O usuário via o telefone arrastando e concluía o óbvio — “está velho, vou comprar outro” — sem saber que uma troca de bateria de custo baixo resolveria. Foi a omissão, não a lentidão, que virou escândalo.
A conta chegou: cerca de US$ 500 milhões em acordo nos EUA, multas na França e na Itália, e um programa de troca de baterias a preço reduzido. Depois disso, a Apple passou a mostrar a “Saúde da bateria” nos ajustes e a deixar você desligar o freio, se quiser assumir o risco de desligamentos.
Então, obsolescência programada para forçar upgrade? Não há prova disso — o que houve foi uma solução técnica legítima escondida do dono do aparelho. Se o seu iPhone está lento, antes de trocar, vá em Ajustes → Bateria → Saúde da bateria. Pode ser que você precise de uma bateria nova, não de um telefone novo.
Fonte: Comunicado oficial da Apple (2017), o acordo de US$ 500 milhões nos EUA e as multas da autoridade francesa (DGCCRF) e italiana (AGCM).
Em 20 segundos, no boteco: