O 5G espalha a Covid-19? Mito ou verdade

MENTIRA — e ha uma prova geografica.

Em 2020, no auge do medo, a teoria saiu do grupo de WhatsApp e foi para a rua: dezenas de antenas foram incendiadas no Reino Unido, na Holanda e em outros países. Técnicos de telecomunicações — gente que estava justamente mantendo a internet de pé durante o confinamento — foram ameaçados na rua. É o exemplo mais caro de como um boato tecnológico cobra a conta no mundo real.

A refutação mais simples não precisa de laboratório, precisa de mapa. Se o 5G espalhasse o coronavírus, os lugares sem 5G teriam sido poupados. Só que o Irã, que não tinha rede 5G, teve uma das epidemias mais severas do mundo já em março de 2020. O mesmo vale para dezenas de países e regiões inteiras sem uma única antena instalada: a pandemia chegou lá igual. Não existe versão dessa teoria que sobreviva a um mapa.

E a física fecha a porta. Um vírus é uma partícula biológica: proteína e material genético. Ele se desloca em gotículas de saliva, viaja de carona no ar e nas mãos. Uma onda de rádio é radiação eletromagnética — não carrega matéria, não transporta proteínas, não “hospeda” nada. Pedir que uma antena transmita um vírus é como pedir que uma estação de rádio te entregue uma pizza pelo alto-falante.

A variante mais elaborada do boato — a de que o 5G “enfraquece o sistema imunológico” — esbarra no mesmo muro do mito do câncer: a radiofrequência é não-ionizante, não tem energia para alterar células. O 5G opera, aliás, em faixas que a humanidade já usava há décadas em radares e comunicações.

Vale a pena entender por que esse boato pegou: ele surgiu no momento exato em que o 5G estava sendo instalado em várias cidades — e o cérebro humano adora transformar coincidência em causa. É o mesmo mecanismo por trás de metade dos mitos deste livro.

Fonte: Organização Mundial da Saúde, checagens da BBC/Reuters sobre os ataques a antenas e dados de incidência em países sem cobertura 5G.

Em 20 segundos, no boteco:

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